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País precisa qualificar trabalhadores para garantir autonomia às pessoas

Trabalho e liberdade

25 de Abril de 2019 Gilson Aguiar
A economia paranaense viu encolher, entre 2015 a 2017, 56.527 postos de trabalho. O setor de produção foi o que mais ressentiu a perda de empregos. Os dados são do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged). Na contramão, os serviços aumentaram seus postos de trabalho. Uma demonstração de que o país está vendo encolher seu parque industrial.

Entre 2013 e 2016, o país viu fechar mais de 13,8 mil empresas industriais. Foram 1,3 milhões de vagas perdidas no setor. É o que aponta a Pesquisa Industrial Anual Empresas (PIA). O período mais forte de fechamento foi nos anos de 2014 e 2015, forma mais de 10,5 mil empresas que fecharam suas portas. Já era o prenúncio de uma crise que ainda se arrasta na espera de superação.

Empresas micro e pequenas são o perfil das que suspenderam suas atividades. Setor que gera a maior parte dos empregos. Nelas é que encontram trabalho as pessoas de pouca qualificação. Hoje, os trabalhadores que estão desempregados têm dificuldade de retornarem ao mercado. Os mais jovens, com este perfil, têm dificuldade dobrada. Agrega-se a eles a inexperiência.

Ironicamente, muitos setores carecem de pessoas qualificadas. Hoje, no país, sete em cada dez empresas carecem de trabalhadores qualificados. Esta situação fragiliza a competitividade e produtividade. São vagas de trabalho descobertas com bons salários. O que os desempregados sonham, uma boa remuneração e condição de trabalho.

A qualificação é a saída para o crescimento da economia, redução do desemprego e redução das demandas sociais do Estado. Quanto mais pessoas ingressam no mercado com empregos qualificados, menos se depende dos serviços públicos para os brasileiros se manterem. Precisamos acordar para isso.

Se queremos reduzir as demandas dos serviços públicos, precisamos investir na qualificação das pessoas. Gerar independência dos seres humanos para poderem decidir sua vida. A liberdade de nada adianta sem uma condição de autonomia financeira. A mesma autonomia que permite o poder de consumo, de ingressar em um mercado como um agente de demanda e determinação na economia e sociedade.

Por mais que se viva a ilusão de consumo como um determinante da dignidade, ainda é o trabalho remunerado que gera a condição real de ser senhor de seu próprio destino.
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