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Maringá se afirma me Tecnologia da Informação

Polo de TI

23 de Abril de 2019 Redação GRM
Atualmente, Maringá vem sendo considerada como um dos melhores lugares do Brasil para se trabalhar. Se no passado a agricultura era a atração, hoje Maringá ficou em primeiro lugar em um ranking de gestão municipal, desenvolvido pela consultoria Macroplan, e também se destaca em inovação do Brasil. Também se transformou na segunda cidade com mais expressão no setor de desenvolvimento de software do Paraná, atrás apenas de Curitiba, segundo o panorama realizado pelo Sebrae, com o setor crescendo em taxas de até 35% ao ano na cidade. O faturamento esperado pelo setor de Tecnologia da Informação de Maringá para 2019 é de R$ 1,2 bilhão.

Levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que a cidade está na 14ª posição no ranking brasileiro de municípios com mais de 250 mil habitantes que têm maior proporção de empresas de TIC. Os números finais são de 2017, quando Maringá teve quase 13 organizações de TIC para cada 1 mil empresas na cidade.

A nova posição representa uma arrancada, já que, em 2007, Maringá estava na 58ª posição, com 7,10 organizações de TIC a cada 1 mil empresas.

Para o presidente da Software By Maringá, Luis Marcos Campos, trata-se de uma recompensa do planejamento. “Diagnosticamos que havia falta de mão de obra qualificada na cidade, então, desenvolvemos parcerias com instituições de ensino superior e isso acabou atraindo até mesmo empresas de fora. Hoje, colhemos os resultados de uma ação planejada”, comemora.

O setor está contratando e cresce apesar da crise. É o que mais garante arrecadação de ISS para o município. Em 2017, com faturamento de R$ 802.775.704,00, o ISS do setor de TI representou 10,77 % da arrecadação de ISS do Município.

Organizados há mais de 10 anos por meio do Arranjo Produtivo Local, os empresários do setor de TI têm planos até 2047, quando a cidade completa 100 anos. Definidos pelo Sebrae, os APLs consistem em conglomerados de empresas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e buscam, em conjunto, soluções para inovação e desenvolvimento das empresas e profissionais locais.

A Software by Maringá, criada após o APL, em 2007, conta com mais de 100 associados entre empresas, startups e profissionais autônomos interessados em fazer parte do movimento. De acordo Campos, a entidade atua como facilitadora de conexões e de amadurecimento profissional.

De acordo com Campos, “é um sistema que se retroalimenta. As empresas crescem, os profissionais se capacitam e oferecem serviços de maior qualidade, a cidade se desenvolve e se torna mais atrativa e competitiva e as empresas crescem mais e se multiplicam”, comenta.

A Empari Global Innovation, é um grupo de startups que desenvolve aplicativos para emissão de Notas Fiscais Eletrônicas, plataforma de busca de licitações e gestão de vendas, entre outros serviços, e vem crescendo acima da média de mercado. Para Adriano Santos, CEO da empresa, enquanto a média nacional é de 7 a 13% de crescimento, o setor de TI cresce mais de 20% anualmente. “E na Empari não é diferente: nossa expectativa é crescer 134% em 2018, mais que dobrando o faturamento de 2017. Temos um quadro de funcionários enxuto, mas entregamos um ambiente que inspira inovação e pagamos salários acima do mercado e por isso conseguimos atrair os melhores talentos”, complementa o CEO.

Recentemente, a Empari foi selecionada para participar do Gartner Symposium/ITxpo 2018, em Orlando – FL, fruto do programa Maringá ITx, articulado pela Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro) em parceria com a Software by Maringá. O programa busca gerar novas oportunidades de negócios no mercado internacional para empresas de software de Maringá e região e fortalecer a imagem de competência da indústria nacional de software e serviços de TI.

A cidade está caminhando para se transformar em um ecossistema para lançamento de softwares globais (B2B) e se firma como polo regional em Tecnologia da Informação com quatro mil profissionais de TI e 400 empresas de desenvolvimento de software.

O município também ganhou este ano Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, cujo objetivo é fortalecer e ampliar a base técnico-científica da cidade, que é constituída por entidades de ensino, pesquisa e prestação de serviços técnicos especializados e por unidades de produção de bens e serviços de elevado conteúdo tecnológico.

Em breve ganhará um Parque Tecnológico, em uma área de aproximadamente 170 mil metros quadrados. Além das empresas, instituições de ensino também serão contempladas, aproximando os novos talentos do mercado de trabalho. O espaço deve contar com espaço para participação de universidades, por meio centros de pesquisas e inovação, ambientes de co-working voltados para o desenvolvimento de startups, espaços de criação como FabLab, áreas comuns de alimentação e estacionamento, creches, locais para reuniões, debates e treinamentos.

Segundo o Sebrae-PR, que mantém um programa de pré-aceleração de startups, nunca foram feitos tantos atendimentos a empreendedores envolvidos na criação de startups em Maringá e região. O órgão foi procurado para orientar o desenvolvimento de 122 novos projetos. Em fevereiro deste ano o Sebrae contabilizou, no total, 209 projetos atendidos com 507 pessoas envolvidas na criação de startups. Estes números mostram que as iniciativas se proliferam num ambiente favorável. Dos 209 projetos atendidos, 155 estão ativos e em desenvolvimento, mas 44 foram formalizados, ou seja, em plena produção, e oito projetos já recebem investimentos de fundos ou aceleradoras nas áreas de Agrotech, Health Tech, Sustentabilidade, Energia e Comunicação. Iniciativas como o EVOA, a primeira aceleradora de startups da região, sediada em Maringá, ajudam a concretizar este crescimento.

E vem mais por aí: o setor de inovação tecnológica serve de “alavanca” para outros setores como metal/mecânico (para o fornecimento de insumos), saúde (já que atrai trabalhadores e estes são consumidores do setor) e é também “alavancado” por outros, como educação e transações financeiras, criando um ciclo favorável aos empreendedores.

Tudo isso porque Maringá reuniu características que acabaram gerando um ecossistema favorável à tecnologia, com a qualidade de vida oferecida e a busca por certificações que garantem o reconhecimento pela excelência dos postos de trabalho. Exemplo disso é o fato de Maringá ter um dos maiores números de certificações CMMI do Brasil. Essa certificação atesta aderência ao padrão internacional de qualidade de software.

Quatro empresas da cidade, DB1 Global Software, TecnoSpeed, Elotech e Cooper Card figuram no ranking Brasil das “Melhores empresas para trabalhar – GPTW”, realizado pela Great Place to Work que avalia as organizações com as melhores práticas relacionadas a gestão de pessoas. DB1 Global Software, TecnoSpeed, Elotech também figuram na lista das melhores empresas para se trabalhar em TI do GPTW, além de Accion e SG Sistemas.

A cidade foi classificada como 9ª melhor cidade do país para se fazer negócios, de acordo com o estudo elaborado pela Urban Systems, 12ª melhor para empresas com alto potencial de crescimento, se destacando nos quesitos Cultura Empreendedora e Capital Humano, em que se classificou em 2º e 7º lugar, respectivamente, no já citado levantamento da pela Delta Economics para o site Exame.com.

Qualidade de vida, trabalho e empreendedorismo estão no DNA da cidade

Maringá tem atingido índices dos mais favoráveis em termos de qualidade de vida certificados pela ONU, com base no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). Maringá também se destaca como o melhor município do Paraná e um dos melhores do Brasil para criar os filhos, segundo um ranking avaliado pela Delta Economics para o site Exame.com.

Também contribui para o alto índice em qualidade de vida o acesso à saúde pública, destaque das administrações municipais da cidade em que 44% dos habitantes tem planos privados de saúde. Entre as 100 maiores cidades do Brasil, é 5 ª em serviços de saúde, segundo ranking elaborado pela consultoria Macroplan com base em dados de 2015.

Ao menos sete (07) instituições de ensino superior mantem campi em Maringá, garantindo o status de maior “cidade universitária” do noroeste paranaense. Entre as 100 melhores cidades do Brasil, Maringá figura como o 8º melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O levantamento da Marcoplan aponta ainda que Maringá é a 2ª melhor cidade em infraestrutura e sustentabilidade.

Maringá em uma palavra: Planejamento

Em 2016, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, CODEM, capitaneou uma coleta entre empresários locais e sociedade civil organizada para arrecadação de mais de R$ 1 milhão para contratação da consultoria PwC, que entregou em 2017 um diagnóstico socioeconômico da cidade, como parte integrante de um planejamento estratégico para a cidade para os próximos 30 anos, o chamado Masterplan, que busca metas a serem cumpridas até que Maringá alcance seu centenário, em 2047. O documento prevê o desenvolvimento de setores-chave da economia: tecnologia, educação, saúde, e serviços financeiros. Esses setores estão sendo trabalhados por meio das Câmaras Técnicas do CODEM. Não é a primeira vez que algo semelhante acontece: as lideranças empresariais, por meio do CODEM, já lideraram o planejamento para Maringá em 1996, até 2020, e em 2010, até 2030.

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